Era uma vez o vidrão para depositar o futuro…

Dá para imaginar um vidrão mais silencioso e mais ecológico? Dá. O Vidrão 2.0 é um projeto de ecoponto urbano que deposita outro compromisso com a qualidade vida na cidade.

A ideia surgiu quando a agência de comunicação Cupido, então a trabalhar para um cliente na área do engarrafamento de vidro, identificou a pertinência de propor um projeto de ecoponto urbano alinhado com as preocupações da Organização Mundial de Saúde.

Concretamente, a redução da poluição sonora é uma das prioridades sinalizadas pela OMS, que identificou o ruído entre as principais ameaças à sustentabilidade das cidades.

Ora, quando pensamos nas imensas vantagens do vidro, sobretudo a de ser infinitamente reciclável, e o que isso significa, ou pode significar à escala planetária, em poupança de matérias-primas, menos emissões de energia e, até, de deposição em aterros – tudo somado, são inquestionáveis os seus pontos-fortes.

Solução Inovadora

Já quando partimos para uma análise integrada do que é – e deverá ser – o sistema, o processo, o método de reciclagem, importa avaliar “várias externalidades, uma delas cujo impacto continua a ser motivo de preocupação: o ruído associado ao vidrão”, sublinha João Goulão, diretor geral da Cupido.

A avaliação cuidada das questões e dos desafios enunciados seria o ponto de partida, em março de 2022, para a nova abordagem à realidade dos vidrões urbanos materializada no projeto Vidrão 2.0.

Apresentada uma primeira sinopse ao cliente, ele gostou do que viu e fez notar a importância de ouvir o setor, numa lógica de compromisso mais agregador. Foi assim que surgiu a auscultação da Associação dos Industriais do Vidro e da Embalagem (AIVE), também ela manifestando o seu agrado, reconhecimento que viria mais tarde a reforçar os argumentos dos promotores da ideia na hora de apresentarem ‘credenciais’ à Sociedade Ponto Verde.

… que passa pela cortiça

O projeto Vidrão 2.0 aproveita, desde o início, as competências técnicas do Centro para a Valorização de Resíduos (CVR), da Sopinal e da Universidade do Minho, a que se juntou depois a Corticeira Amorim.

“Entendemos que o miolo do vidrão deveria ser produzido a partir de um material mais sustentável e, por isso, começámos a trabalhar com um composto granulado de cortiça, uma opção isolante em termos acústicos e com outros importantes atributos. Essas vantagens temo-las comprovado em testes de resistência da cortiça face a um sem-número de líquidos, ao monitorizarmos a abrasão, a estanquicidade e a alteração de cor”, conta-nos João Goulão.
Definitivamente, testar é o verbo no desenvolvimento de um projeto de inovação.

No que reporta ao Vidrão 2.0, logo que terminado o primeiro protótipo, fica ainda a nota dos vários testes para medir os decibéis em depósito de vidros em simultâneo, quer em vazio quer em cima de uma camada de garrafas. “Conseguimos uma diminuição interessante dos níveis de ruído, que esperamos reduzir até aos 30% nos testes a realizar com o segundo protótipo”, avança o responsável do projeto.

Concluídas as derradeiras afinações, o passo seguinte será dado com a feitura do molde. Até lá, decorrem contactos com potenciais parceiros institucionais e empresas que, na perspetiva do investimento na produção em série, se revejam nesta solução inovadora para um upgrade ao vidrão.

É esse o propósito do Vidrão 2.0, o ecoponto urbano em que se deposita, desde já, outra ideia de futuro.

Este é um projeto apoiado e cofinanciado pela Sociedade Ponto Verde
no âmbito do seu Programa de I&D