Reciclagem e Upcycling de Bairro: uma realidade com o Post Paper Studio
E se o cartão que deposita para reciclagem pudesse regressar a sua casa na forma de uma peça de design?
O Post Paper Studio está a transformar a visão de cidades autossuficientes em realidade. O conceito é simples, mas disruptivo: converter resíduos de cartão de consumo local em mobiliário funcional, como mesas ou secretárias, através de quiosques de transformação urbana. Mais do que reciclar, foca-se na produção local, provando que a economia circular pode ser tangível e imediata para os cidadãos.
O projeto marca a estreia do estúdio By The End Of May, que conta com a parceria do Instituto Politécnico de Lisboa, da designer industrial Irena Übler e do OPO’LAB. O que o torna único é a forma como junta três mundos: o fabrico digital (impressão 3D, corte a laser, CNC – Controlo Numérico Computadorizado), os biomateriais e o artesanato. O resultado? Um sistema em que os resíduos de papel e cartão podem ser reciclados e transformados localmente em novos objetos, úteis e duradouros.
“A ideia surgiu de uma constatação simples: em Lisboa, não é possível encontrar caixas de cartão produzidas localmente. Apesar de Portugal ser um dos maiores produtores de papel, a reciclagem segue quase sempre para fora”, começa por explicar André Trindade, co-fundador do By The End Of May. “Um processo que, na teoria é ecológico, mas que na prática gera enormes emissões de CO2”, continua.
O papel é visto como descartável e de pouco valor, mas na verdade pode substituir materiais virgens, como a madeira, e ganhar uma nova vida em mobiliário, construção ou até objetos de design. Para além disso, o seu processo de reciclagem é relativamente simples: triturar o papel com água, moldar a polpa, retirar a água e secar.
Nasce, assim, a pergunta: e se os bairros pudessem reciclar e transformar o seu próprio papel?
O Postpaper Studio começou por criar ferramentas impressas em 3D, evoluiu para o desenvolvimento de prensas com o OPO’LAB e está agora a explorar técnicas para conferir mais resistência ao material. Entre elas, colas naturais como a de arroz, farinhas locais, revestimentos de ceras naturais e até micélio — as raízes dos cogumelos — que o tornam resistente ao fogo.
Sem químicos nocivos, o Post Paper Studio aposta em materiais saudáveis, locais e de baixo impacto. Mais do que reciclar, o projeto mostra como o papel pode ser reinventado, prolongando o seu ciclo de vida.
Os impactos são claros:
– Evita a exportação de resíduos e reduz as emissões de carbono;
– Cria proximidade entre cidadãos e o processo de reciclagem;
– Capacita as comunidades para transformar resíduos em objetos de que realmente precisam.
E tudo isto sem substituir o sistema de reciclagem tradicional, uma vez que os materiais produzidos continuam compatíveis com o processo original, garantindo que os dois modelos coexistem sem conflitos.






O Post Paper Studio acredita numa cidade onde cada bairro pode produzir os seus próprios recursos, reduzir desperdício e transformar resíduos em oportunidades.
O que parecia ficção começa agora a ganhar forma — talvez já não estejamos tão longe de levar o nosso cartão ao quiosque da esquina e regressar a casa com a mesa nova de que tanto precisávamos.
Projeto apoiado e cofinanciado pela Sociedade Ponto Verde no âmbito do seu Programa de I&D
